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<p>Contratações, especulações, estreias, contusões, desentendimentos. Estas palavras são comuns no noticiário esportivo, mas não é apenas o mercado futebolístico que ferve na pré-temporada. Ao longo do ano, os bastidores do carnaval abrigam uma verdadeira dança das cadeiras, que põem ilustres e estreantes no centro das atenções das escolas de samba e da imprensa. A folia na Sapucaí pode até ser um jogo com algumas cartas marcadas, mas uma ligeira embaralhada muda a mão da maioria das agremiações todo ano.</p>
<p>Uma das cartas mais aguardadas pelos holofotes da mídia é a rainha de bateria, apesar de seu papel reduzido na preparação do desfile. É à frente dos ritmistas que vêm símbolos do carnaval, como Luiza Brunet (Imperatriz), musas da TV, como Paola Oliveira (Grande Rio), e estrelas da comunidade, como Raíssa Oliveira (Beija-Flor), veterana do samba aos 19 anos. Para o desfile deste ano, a Viradouro deixou de lado os corpos sarados e as famosas para apostar em um outro tipo de carisma, o de Julia Lira, a rainha de apenas 7 anos, que conquistou as arquibancadas no ensaio técnico da escola, em 17 de janeiro. A agremiação até tentou trazer a mexicana Thalia, já que o enredo é sobre o México, mas a proposta se tornou inviável por causa das exigências da cantora: um jato particular para o transporte, 10 seguranças e hospedagem em hotel de luxo.</p>
<p>Gisele Itiê foi outra tentativa, por ter nascido no país homenageado, mas a impossibilidade de conciliar os ensaios com as gravações de “Bela, a Feia” (novela da Record em que é protagonista) a fizeram recusar.<br />“Não tínhamos uma rainha, e como sabemos que a Julia adora dançar, fizemos um teste no ensaio técnico. Deu mais certo do que a gente esperava, ela sambou a avenida inteira e decidimos confirmá-la”, conta Mônica Lira, primeira-dama da escola e mãe de Julia com Marco Lira, presidente da Viradouro.</p>
<p>Esta não será a estreia de Julia na Sapucaí. Em 2007, aos cinco anos, ela abriu a escola com o pai, no desfile das campeãs. Para quem duvida do samba de Julia, a mãe conta que ela está desde os três anos no ballet e faz jazz há um ano. “Ela sempre gostou muito de dançar. Aprendia sozinha as coreografias das novelas e, quando põe a roupa de carnaval, entra no clima”.</p>
<p>A nomeação de Julia gerou polêmica e foi questionada pelo Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente. Para o presidente do CEDCA, Carlos Nicodemos, não há nada de errado na participação de crianças e adolescentes no desfile, o problema seria o posto de rainha de bateria. “É uma posição que envolve um apelo sensual grande, mercantilização e muita disputa entre as mulheres, coisas que não condizem com o universo da criança”, argumenta Carlos. O Conselho enviou um ofício à Viradouro, pedindo a confirmação de Julia também via ofício, para estudar uma possível solicitação de acompanhamento do caso ao Conselho Tutelar.</p>
<p>Mônica garante que não haverá este tipo de exposição, pois a fantasia de Julia será submetida à aprovação da Justiça. “A fantasia vai ser leve e infantil. Não quero plumas nem biquíni. Ela não precisa de roupa ousada nem de apelação, é uma criança e fica linda com tudo. Vamos entregar o desenho da fantasia à Justiça para que aprovem. Se ela não puder ser rainha, sairá em outra ala e aproveitará do mesmo jeito”, diz Mônica. Boa aluna e sorridente, a mãe de Julia conta que a filha não dá a menor importância à disputa travada pelas rainhas de bateria para garantir o destaque do ano.</p>
<p>“Ela não entende bem o que é isso. Está feliz com a roupinha e não se importa em vir atrás ou na frente da bateria, quer é sambar. Eu brinco que enquanto as outras ficam fazendo dieta, a Julia está comendo brigadeiro e pipoca, só coisas de criança”. Já no dia do desfile, o pediatra da menina recomendou muita água e sucos de frutas para hidratar, massas para dar energia e uma alimentação leve. “Com estes cuidados, o pediatra liberou. Há tantas crianças que desfilam em alas mirins todo ano, em todas as escolas, e não acontece nada. Além do mais, ela vai estar comigo e com o pai. Eu abri mão de desfilar no primeiro carro e o Marco vai deixar de vir na frente da escola. Tudo para cuidar dela”, conta a mãe, assumidamente coruja.</p>
<p>Outra escola que terá uma estreante à frente da bateria é a Vila Isabel. A miss Natalia Guimarães será substituída por Gracyanne Barbosa, que desfilou pela Mangueira em 2009. No lugar de Gracyanne, entrou Renata Santos, ex-rainha da Santa Cruz (grupo de acesso). Uma das maiores musas do carnaval carioca, Luma de Oliveira não marcará presença na Sapucaí. Após ter desfilado pela Portela em 2009, a ex-modelo abriu mão do posto e foi substituída por Juliana Portela.</p>
<p><strong>Escolas tem oito novos carnavalescos</strong></p>
<p>Entre as posições-chave, nenhuma terá tantas estreias e reestreias em 2010 quanto a de carnavalesco, cargo muitas vezes responsabilizado por desempenhos abaixo dos esperados nos desfiles. Apenas Salgueiro, Grande Rio, Beija-Flor e Vila Isabel seguem com os mesmos profissionais do ano passado. As quatro terminaram entre as campeãs em 2009 e se classificaram entre as cinco primeiras. Apesar de ter conquistado a terceira posição, a Portela não terá mais Lane Santana e Jorge Caribé, que deram lugar a Alex de Oliveira, ex-Rei Momo, e Amauri Santos. A Mangueira, sexta colocada, substituiu Roberto Szaniecki por Márcia Lage, mas em setembro fez uma nova troca e chamou Jaime Cezário e Jorge Caribé para o posto.</p>
<p>Após 17 anos e cinco títulos na Imperatriz Leopoldinense, Rosa Magalhães desenvolve hoje o desfile da União da Ilha, que retorna ao Grupo Especial neste ano. Em seu lugar, reestreia Max Lopes, que foi campeão pela escola de Ramos em 1989, com o histórico samba-enredo “Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós”. Max comandou a Porto da Pedra em 2009 e foi substituído por Paulo Menezes, que estava na Renascer de Jacarepaguá, do Grupo de Acesso A.</p>
<p>Outro carnavalesco que retorna a uma escola em que fez sucesso é Paulo Barros. Depois de passar pela Viradouro e Vila Isabel, Paulo substitui Luiz Carlos Bruno na Unidos da Tijuca, agremiação em que desenvolveu a famosa alegoria coreografada do DNA e em que foi vice-campeão em 2004 e 2005. Alex de Sousa, parceiro de Paulo Barros na Vila Isabel em 2009, permanece à frente do carnaval da escola. Na única representante da Zona Oeste no grupo especial, a Mocidade Independente de Padre Miguel, sai Cláudio Cebola e entra Cid Carvalho, que pretende reunir os carnavalescos do grupo especial em uma de suas alegorias. </p>
<p>Na Viradouro, entram Junior Schall e Edson Pereira no lugar de Milton Cunha, que se tornou o responsável pelo enredo da Cubango. Carimbado no mundo do samba, Milton participa do que o presidente da agremiação, Pelé, já tem chamado de o melhor carnaval da história da escola, com um investimento de R$ 2 milhões. Ano passado, a Cubango subiu para o Grupo de Acesso A e pretende não perder o ritmo, subindo novamente, desta vez para a elite do samba. Para isso, Milton conta que está preparando um carnaval de grupo especial.</p>
<p>“A Cubango vai impactar pelo gigantismo. Essa estrutura que estamos preparando eu só vejo em escolas do grupo especial. Ver a Cubango será como ver as maiores escolas”, garante Milton, que apesar de estrear este ano, já tem uma relação próxima com este lado da Baía de Guanabara. “O lado de cá leva uma alegria a mais para o carnaval. Por serem daqui, as pessoas se sentem na obrigação de se superarem ainda mais na avenida. Esse povo já carrega a chama do carnaval. É difícil ter três escolas fortes tão próximas fora da capital”.</p>
<p>Enquanto a maioria das escolas mudou os carnavalescos, apenas cinco trocaram de mestre de bateria e três, de intérprete. Wander Pires é um dos poucos puxadores a estrearem. Após 10 anos consecutivos sendo a voz da Mocidade, ele está na Viradouro, onde chegou há apenas seis meses. O tempo reduzido, contudo, não foi problema. “A gente se integra fácil numa comunidade como a Viradouro. Eu trabalho com muita seriedade e sempre procurei fazer o melhor e vi que todo mundo acreditou em mim. Uma prova disso foi a situação que eu passei e foi resolvida pela escola. Eu sou muito grato”, conta Wander, se referindo à sua prisão por um atraso no pagamento de pensão alimentícia, dívida que foi quitada pelo presidente da escola, Marco Lira. Toda esta hospitalidade gera uma obrigação, diz Wander.</p>
<p>“Ser a voz de Niterói é algo que eu estou vivendo com muita responsabilidade e respeito. Já percebi a grandiosidade desta comunidade e fico numa ansiedade muito grande. Tento retribuir essa recepção calorosa que tem sido dada pela Viradouro. Nunca imaginei me identificar tão rápido com essa escola”. Wander entra na Viradouro ocupando a vaga de David do Pandeiro, que preencherá o lugar deixado pelo intérprete na Verde-e-Branca de Padre Miguel. Já Paulinho Mocidade sai da Imperatriz, que terá a volta de Dominguinhos do Estácio.<br />À frente das baterias, duas mudanças de peso: Mestre Paulinho deixa a Beija-Flor, após 12 anos consecutivos, e Mestre Ciça sai da Viradouro, escola que defendeu por uma década, para reforçar a Grande Rio.</p>
<p>Moacyr da Silva Pinto, ou simplesmente Ciça, conta que trocar uma bateria em que trabalhava há anos para se readaptar em outra tem seus obstáculos, principalmente pelos vícios adquiridos com uma experiência tão longa em uma única escola. “Eu vou te dizer que desses vícios, têm 20% que a gente não consegue tirar. Na Grande Rio eu peguei uma bateria muito boa também, mas que é diferente e a gente tem que ir se adaptando”.<br />Apesar de já ter seu trabalho reconhecido no mundo do samba, Mestre Ciça afirma que a chegada a uma escola nova sempre é um momento de mostrar serviço. “Fica sempre uma expectativa, principalmente porque eu substituí um grande mestre, o Odilon. No começo sempre é difícil, a gente tem que pular umas fogueiras. No início, o pessoal ficava de orelha em pé, mas, hoje, a escola está satisfeita e já estou até renovado para o ano que vem”.</p>
<p><strong>Pela primeira vez no samba</strong></p>
<p>Campeão do ano passado, o Salgueiro é a única escola do Rio de Janeiro que não trocou de rainha, intérprete, carnavalesco ou mestre de bateria. Continuam na agremiação Viviane Araújo, Quinho, Renato Lage e Mestre Marcão. Uma estreante na Vermelha-e-Branca tijucana é a ex-BBB Priscila Pires, que fará seu primeiro desfile na Sapucaí como musa da escola. Após a participação no reality show, a sul-mato-grossense foi convidada para uma feijoada na quadra da escola e se encantou. “A recepção foi ótima. Acho que a escolha foi feita depois de verem minha relação com as pessoas da comunidade”.</p>
<p>Apesar de só agora sair pela escola, Priscila conta que já tinha um carinho especial pelo Salgueiro e que no que depender dela, este não será o último desfile. “Todas as vezes que vinha ao Rio, eu ia ao Salgueiro, ela é realmente minha escola de coração. Se me convidarem, continuarei lá”. Outra estreante que já declara amor pela escola é MC Maysa, que será rainha das passistas na Porto da Pedra. Acostumada aos passos de funk, a nova integrante da agremiação também diz ter familiaridade com o batuque dos ritmistas. “Funk é funk e samba é samba. Funk é mais jogar a bunda e fazer passinho, mas para sambar, tem que ter samba no pé. Eu fui criada na Penha e frequentava a quadra da Mangueira, onde aprendi a sambar vendo as passistas”.</p>
<p>Mas a própria MC afirma que se surpreendeu com o cansaço no ensaio-técnico da Porto da Pedra e procurou imediatamente um personal trainer. Para se preparar, alimentação saudável e corridas diárias na praia. Mesmo com a boa recepção da comunidade e com o histórico de samba, Maysa Hophe, de 21 anos, confessa estar perdendo noites de sono. “Eu não consigo nem dormir, estou muito ansiosa mesmo. Quando eu era menor, ficava vendo as passistas dançarem e pensava: um dia ainda vou dançar como elas”, conta Maysa, consciente de que o dia está muito próximo de chegar.</p>
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<p>Uma das cartas mais aguardadas pelos holofotes da mídia é a rainha de bateria, apesar de seu papel reduzido na preparação do desfile. É à frente dos ritmistas que vêm símbolos do carnaval, como Luiza Brunet (Imperatriz), musas da TV, como Paola Oliveira (Grande Rio), e estrelas da comunidade, como Raíssa Oliveira (Beija-Flor), veterana do samba aos 19 anos. Para o desfile deste ano, a Viradouro deixou de lado os corpos sarados e as famosas para apostar em um outro tipo de carisma, o de Julia Lira, a rainha de apenas 7 anos, que conquistou as arquibancadas no ensaio técnico da escola, em 17 de janeiro. A agremiação até tentou trazer a mexicana Thalia, já que o enredo é sobre o México, mas a proposta se tornou inviável por causa das exigências da cantora: um jato particular para o transporte, 10 seguranças e hospedagem em hotel de luxo.</p>
<p>Gisele Itiê foi outra tentativa, por ter nascido no país homenageado, mas a impossibilidade de conciliar os ensaios com as gravações de “Bela, a Feia” (novela da Record em que é protagonista) a fizeram recusar.<br />“Não tínhamos uma rainha, e como sabemos que a Julia adora dançar, fizemos um teste no ensaio técnico. Deu mais certo do que a gente esperava, ela sambou a avenida inteira e decidimos confirmá-la”, conta Mônica Lira, primeira-dama da escola e mãe de Julia com Marco Lira, presidente da Viradouro.</p>
<p>Esta não será a estreia de Julia na Sapucaí. Em 2007, aos cinco anos, ela abriu a escola com o pai, no desfile das campeãs. Para quem duvida do samba de Julia, a mãe conta que ela está desde os três anos no ballet e faz jazz há um ano. “Ela sempre gostou muito de dançar. Aprendia sozinha as coreografias das novelas e, quando põe a roupa de carnaval, entra no clima”.</p>
<p>A nomeação de Julia gerou polêmica e foi questionada pelo Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente. Para o presidente do CEDCA, Carlos Nicodemos, não há nada de errado na participação de crianças e adolescentes no desfile, o problema seria o posto de rainha de bateria. “É uma posição que envolve um apelo sensual grande, mercantilização e muita disputa entre as mulheres, coisas que não condizem com o universo da criança”, argumenta Carlos. O Conselho enviou um ofício à Viradouro, pedindo a confirmação de Julia também via ofício, para estudar uma possível solicitação de acompanhamento do caso ao Conselho Tutelar.</p>
<p>Mônica garante que não haverá este tipo de exposição, pois a fantasia de Julia será submetida à aprovação da Justiça. “A fantasia vai ser leve e infantil. Não quero plumas nem biquíni. Ela não precisa de roupa ousada nem de apelação, é uma criança e fica linda com tudo. Vamos entregar o desenho da fantasia à Justiça para que aprovem. Se ela não puder ser rainha, sairá em outra ala e aproveitará do mesmo jeito”, diz Mônica. Boa aluna e sorridente, a mãe de Julia conta que a filha não dá a menor importância à disputa travada pelas rainhas de bateria para garantir o destaque do ano.</p>
<p>“Ela não entende bem o que é isso. Está feliz com a roupinha e não se importa em vir atrás ou na frente da bateria, quer é sambar. Eu brinco que enquanto as outras ficam fazendo dieta, a Julia está comendo brigadeiro e pipoca, só coisas de criança”. Já no dia do desfile, o pediatra da menina recomendou muita água e sucos de frutas para hidratar, massas para dar energia e uma alimentação leve. “Com estes cuidados, o pediatra liberou. Há tantas crianças que desfilam em alas mirins todo ano, em todas as escolas, e não acontece nada. Além do mais, ela vai estar comigo e com o pai. Eu abri mão de desfilar no primeiro carro e o Marco vai deixar de vir na frente da escola. Tudo para cuidar dela”, conta a mãe, assumidamente coruja.</p>
<p>Outra escola que terá uma estreante à frente da bateria é a Vila Isabel. A miss Natalia Guimarães será substituída por Gracyanne Barbosa, que desfilou pela Mangueira em 2009. No lugar de Gracyanne, entrou Renata Santos, ex-rainha da Santa Cruz (grupo de acesso). Uma das maiores musas do carnaval carioca, Luma de Oliveira não marcará presença na Sapucaí. Após ter desfilado pela Portela em 2009, a ex-modelo abriu mão do posto e foi substituída por Juliana Portela.</p>
<p><strong>Escolas tem oito novos carnavalescos</strong></p>
<p>Entre as posições-chave, nenhuma terá tantas estreias e reestreias em 2010 quanto a de carnavalesco, cargo muitas vezes responsabilizado por desempenhos abaixo dos esperados nos desfiles. Apenas Salgueiro, Grande Rio, Beija-Flor e Vila Isabel seguem com os mesmos profissionais do ano passado. As quatro terminaram entre as campeãs em 2009 e se classificaram entre as cinco primeiras. Apesar de ter conquistado a terceira posição, a Portela não terá mais Lane Santana e Jorge Caribé, que deram lugar a Alex de Oliveira, ex-Rei Momo, e Amauri Santos. A Mangueira, sexta colocada, substituiu Roberto Szaniecki por Márcia Lage, mas em setembro fez uma nova troca e chamou Jaime Cezário e Jorge Caribé para o posto.</p>
<p>Após 17 anos e cinco títulos na Imperatriz Leopoldinense, Rosa Magalhães desenvolve hoje o desfile da União da Ilha, que retorna ao Grupo Especial neste ano. Em seu lugar, reestreia Max Lopes, que foi campeão pela escola de Ramos em 1989, com o histórico samba-enredo “Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós”. Max comandou a Porto da Pedra em 2009 e foi substituído por Paulo Menezes, que estava na Renascer de Jacarepaguá, do Grupo de Acesso A.</p>
<p>Outro carnavalesco que retorna a uma escola em que fez sucesso é Paulo Barros. Depois de passar pela Viradouro e Vila Isabel, Paulo substitui Luiz Carlos Bruno na Unidos da Tijuca, agremiação em que desenvolveu a famosa alegoria coreografada do DNA e em que foi vice-campeão em 2004 e 2005. Alex de Sousa, parceiro de Paulo Barros na Vila Isabel em 2009, permanece à frente do carnaval da escola. Na única representante da Zona Oeste no grupo especial, a Mocidade Independente de Padre Miguel, sai Cláudio Cebola e entra Cid Carvalho, que pretende reunir os carnavalescos do grupo especial em uma de suas alegorias. </p>
<p>Na Viradouro, entram Junior Schall e Edson Pereira no lugar de Milton Cunha, que se tornou o responsável pelo enredo da Cubango. Carimbado no mundo do samba, Milton participa do que o presidente da agremiação, Pelé, já tem chamado de o melhor carnaval da história da escola, com um investimento de R$ 2 milhões. Ano passado, a Cubango subiu para o Grupo de Acesso A e pretende não perder o ritmo, subindo novamente, desta vez para a elite do samba. Para isso, Milton conta que está preparando um carnaval de grupo especial.</p>
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<p>Moacyr da Silva Pinto, ou simplesmente Ciça, conta que trocar uma bateria em que trabalhava há anos para se readaptar em outra tem seus obstáculos, principalmente pelos vícios adquiridos com uma experiência tão longa em uma única escola. “Eu vou te dizer que desses vícios, têm 20% que a gente não consegue tirar. Na Grande Rio eu peguei uma bateria muito boa também, mas que é diferente e a gente tem que ir se adaptando”.<br />Apesar de já ter seu trabalho reconhecido no mundo do samba, Mestre Ciça afirma que a chegada a uma escola nova sempre é um momento de mostrar serviço. “Fica sempre uma expectativa, principalmente porque eu substituí um grande mestre, o Odilon. No começo sempre é difícil, a gente tem que pular umas fogueiras. No início, o pessoal ficava de orelha em pé, mas, hoje, a escola está satisfeita e já estou até renovado para o ano que vem”.</p>
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<p>Campeão do ano passado, o Salgueiro é a única escola do Rio de Janeiro que não trocou de rainha, intérprete, carnavalesco ou mestre de bateria. Continuam na agremiação Viviane Araújo, Quinho, Renato Lage e Mestre Marcão. Uma estreante na Vermelha-e-Branca tijucana é a ex-BBB Priscila Pires, que fará seu primeiro desfile na Sapucaí como musa da escola. Após a participação no reality show, a sul-mato-grossense foi convidada para uma feijoada na quadra da escola e se encantou. “A recepção foi ótima. Acho que a escolha foi feita depois de verem minha relação com as pessoas da comunidade”.</p>
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<p>Uma das cartas mais aguardadas pelos holofotes da mídia é a rainha de bateria, apesar de seu papel reduzido na preparação do desfile. É à frente dos ritmistas que vêm símbolos do carnaval, como Luiza Brunet (Imperatriz), musas da TV, como Paola Oliveira (Grande Rio), e estrelas da comunidade, como Raíssa Oliveira (Beija-Flor), veterana do samba aos 19 anos. Para o desfile deste ano, a Viradouro deixou de lado os corpos sarados e as famosas para apostar em um outro tipo de carisma, o de Julia Lira, a rainha de apenas 7 anos, que conquistou as arquibancadas no ensaio técnico da escola, em 17 de janeiro. A agremiação até tentou trazer a mexicana Thalia, já que o enredo é sobre o México, mas a proposta se tornou inviável por causa das exigências da cantora: um jato particular para o transporte, 10 seguranças e hospedagem em hotel de luxo.</p>
<p>Gisele Itiê foi outra tentativa, por ter nascido no país homenageado, mas a impossibilidade de conciliar os ensaios com as gravações de “Bela, a Feia” (novela da Record em que é protagonista) a fizeram recusar.<br />“Não tínhamos uma rainha, e como sabemos que a Julia adora dançar, fizemos um teste no ensaio técnico. Deu mais certo do que a gente esperava, ela sambou a avenida inteira e decidimos confirmá-la”, conta Mônica Lira, primeira-dama da escola e mãe de Julia com Marco Lira, presidente da Viradouro.</p>
<p>Esta não será a estreia de Julia na Sapucaí. Em 2007, aos cinco anos, ela abriu a escola com o pai, no desfile das campeãs. Para quem duvida do samba de Julia, a mãe conta que ela está desde os três anos no ballet e faz jazz há um ano. “Ela sempre gostou muito de dançar. Aprendia sozinha as coreografias das novelas e, quando põe a roupa de carnaval, entra no clima”.</p>
<p>A nomeação de Julia gerou polêmica e foi questionada pelo Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente. Para o presidente do CEDCA, Carlos Nicodemos, não há nada de errado na participação de crianças e adolescentes no desfile, o problema seria o posto de rainha de bateria. “É uma posição que envolve um apelo sensual grande, mercantilização e muita disputa entre as mulheres, coisas que não condizem com o universo da criança”, argumenta Carlos. O Conselho enviou um ofício à Viradouro, pedindo a confirmação de Julia também via ofício, para estudar uma possível solicitação de acompanhamento do caso ao Conselho Tutelar.</p>
<p>Mônica garante que não haverá este tipo de exposição, pois a fantasia de Julia será submetida à aprovação da Justiça. “A fantasia vai ser leve e infantil. Não quero plumas nem biquíni. Ela não precisa de roupa ousada nem de apelação, é uma criança e fica linda com tudo. Vamos entregar o desenho da fantasia à Justiça para que aprovem. Se ela não puder ser rainha, sairá em outra ala e aproveitará do mesmo jeito”, diz Mônica. Boa aluna e sorridente, a mãe de Julia conta que a filha não dá a menor importância à disputa travada pelas rainhas de bateria para garantir o destaque do ano.</p>
<p>“Ela não entende bem o que é isso. Está feliz com a roupinha e não se importa em vir atrás ou na frente da bateria, quer é sambar. Eu brinco que enquanto as outras ficam fazendo dieta, a Julia está comendo brigadeiro e pipoca, só coisas de criança”. Já no dia do desfile, o pediatra da menina recomendou muita água e sucos de frutas para hidratar, massas para dar energia e uma alimentação leve. “Com estes cuidados, o pediatra liberou. Há tantas crianças que desfilam em alas mirins todo ano, em todas as escolas, e não acontece nada. Além do mais, ela vai estar comigo e com o pai. Eu abri mão de desfilar no primeiro carro e o Marco vai deixar de vir na frente da escola. Tudo para cuidar dela”, conta a mãe, assumidamente coruja.</p>
<p>Outra escola que terá uma estreante à frente da bateria é a Vila Isabel. A miss Natalia Guimarães será substituída por Gracyanne Barbosa, que desfilou pela Mangueira em 2009. No lugar de Gracyanne, entrou Renata Santos, ex-rainha da Santa Cruz (grupo de acesso). Uma das maiores musas do carnaval carioca, Luma de Oliveira não marcará presença na Sapucaí. Após ter desfilado pela Portela em 2009, a ex-modelo abriu mão do posto e foi substituída por Juliana Portela.</p>
<p><strong>Escolas tem oito novos carnavalescos</strong></p>
<p>Entre as posições-chave, nenhuma terá tantas estreias e reestreias em 2010 quanto a de carnavalesco, cargo muitas vezes responsabilizado por desempenhos abaixo dos esperados nos desfiles. Apenas Salgueiro, Grande Rio, Beija-Flor e Vila Isabel seguem com os mesmos profissionais do ano passado. As quatro terminaram entre as campeãs em 2009 e se classificaram entre as cinco primeiras. Apesar de ter conquistado a terceira posição, a Portela não terá mais Lane Santana e Jorge Caribé, que deram lugar a Alex de Oliveira, ex-Rei Momo, e Amauri Santos. A Mangueira, sexta colocada, substituiu Roberto Szaniecki por Márcia Lage, mas em setembro fez uma nova troca e chamou Jaime Cezário e Jorge Caribé para o posto.</p>
<p>Após 17 anos e cinco títulos na Imperatriz Leopoldinense, Rosa Magalhães desenvolve hoje o desfile da União da Ilha, que retorna ao Grupo Especial neste ano. Em seu lugar, reestreia Max Lopes, que foi campeão pela escola de Ramos em 1989, com o histórico samba-enredo “Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós”. Max comandou a Porto da Pedra em 2009 e foi substituído por Paulo Menezes, que estava na Renascer de Jacarepaguá, do Grupo de Acesso A.</p>
<p>Outro carnavalesco que retorna a uma escola em que fez sucesso é Paulo Barros. Depois de passar pela Viradouro e Vila Isabel, Paulo substitui Luiz Carlos Bruno na Unidos da Tijuca, agremiação em que desenvolveu a famosa alegoria coreografada do DNA e em que foi vice-campeão em 2004 e 2005. Alex de Sousa, parceiro de Paulo Barros na Vila Isabel em 2009, permanece à frente do carnaval da escola. Na única representante da Zona Oeste no grupo especial, a Mocidade Independente de Padre Miguel, sai Cláudio Cebola e entra Cid Carvalho, que pretende reunir os carnavalescos do grupo especial em uma de suas alegorias. </p>
<p>Na Viradouro, entram Junior Schall e Edson Pereira no lugar de Milton Cunha, que se tornou o responsável pelo enredo da Cubango. Carimbado no mundo do samba, Milton participa do que o presidente da agremiação, Pelé, já tem chamado de o melhor carnaval da história da escola, com um investimento de R$ 2 milhões. Ano passado, a Cubango subiu para o Grupo de Acesso A e pretende não perder o ritmo, subindo novamente, desta vez para a elite do samba. Para isso, Milton conta que está preparando um carnaval de grupo especial.</p>
<p>“A Cubango vai impactar pelo gigantismo. Essa estrutura que estamos preparando eu só vejo em escolas do grupo especial. Ver a Cubango será como ver as maiores escolas”, garante Milton, que apesar de estrear este ano, já tem uma relação próxima com este lado da Baía de Guanabara. “O lado de cá leva uma alegria a mais para o carnaval. Por serem daqui, as pessoas se sentem na obrigação de se superarem ainda mais na avenida. Esse povo já carrega a chama do carnaval. É difícil ter três escolas fortes tão próximas fora da capital”.</p>
<p>Enquanto a maioria das escolas mudou os carnavalescos, apenas cinco trocaram de mestre de bateria e três, de intérprete. Wander Pires é um dos poucos puxadores a estrearem. Após 10 anos consecutivos sendo a voz da Mocidade, ele está na Viradouro, onde chegou há apenas seis meses. O tempo reduzido, contudo, não foi problema. “A gente se integra fácil numa comunidade como a Viradouro. Eu trabalho com muita seriedade e sempre procurei fazer o melhor e vi que todo mundo acreditou em mim. Uma prova disso foi a situação que eu passei e foi resolvida pela escola. Eu sou muito grato”, conta Wander, se referindo à sua prisão por um atraso no pagamento de pensão alimentícia, dívida que foi quitada pelo presidente da escola, Marco Lira. Toda esta hospitalidade gera uma obrigação, diz Wander.</p>
<p>“Ser a voz de Niterói é algo que eu estou vivendo com muita responsabilidade e respeito. Já percebi a grandiosidade desta comunidade e fico numa ansiedade muito grande. Tento retribuir essa recepção calorosa que tem sido dada pela Viradouro. Nunca imaginei me identificar tão rápido com essa escola”. Wander entra na Viradouro ocupando a vaga de David do Pandeiro, que preencherá o lugar deixado pelo intérprete na Verde-e-Branca de Padre Miguel. Já Paulinho Mocidade sai da Imperatriz, que terá a volta de Dominguinhos do Estácio.<br />À frente das baterias, duas mudanças de peso: Mestre Paulinho deixa a Beija-Flor, após 12 anos consecutivos, e Mestre Ciça sai da Viradouro, escola que defendeu por uma década, para reforçar a Grande Rio.</p>
<p>Moacyr da Silva Pinto, ou simplesmente Ciça, conta que trocar uma bateria em que trabalhava há anos para se readaptar em outra tem seus obstáculos, principalmente pelos vícios adquiridos com uma experiência tão longa em uma única escola. “Eu vou te dizer que desses vícios, têm 20% que a gente não consegue tirar. Na Grande Rio eu peguei uma bateria muito boa também, mas que é diferente e a gente tem que ir se adaptando”.<br />Apesar de já ter seu trabalho reconhecido no mundo do samba, Mestre Ciça afirma que a chegada a uma escola nova sempre é um momento de mostrar serviço. “Fica sempre uma expectativa, principalmente porque eu substituí um grande mestre, o Odilon. No começo sempre é difícil, a gente tem que pular umas fogueiras. No início, o pessoal ficava de orelha em pé, mas, hoje, a escola está satisfeita e já estou até renovado para o ano que vem”.</p>
<p><strong>Pela primeira vez no samba</strong></p>
<p>Campeão do ano passado, o Salgueiro é a única escola do Rio de Janeiro que não trocou de rainha, intérprete, carnavalesco ou mestre de bateria. Continuam na agremiação Viviane Araújo, Quinho, Renato Lage e Mestre Marcão. Uma estreante na Vermelha-e-Branca tijucana é a ex-BBB Priscila Pires, que fará seu primeiro desfile na Sapucaí como musa da escola. Após a participação no reality show, a sul-mato-grossense foi convidada para uma feijoada na quadra da escola e se encantou. “A recepção foi ótima. Acho que a escolha foi feita depois de verem minha relação com as pessoas da comunidade”.</p>
<p>Apesar de só agora sair pela escola, Priscila conta que já tinha um carinho especial pelo Salgueiro e que no que depender dela, este não será o último desfile. “Todas as vezes que vinha ao Rio, eu ia ao Salgueiro, ela é realmente minha escola de coração. Se me convidarem, continuarei lá”. Outra estreante que já declara amor pela escola é MC Maysa, que será rainha das passistas na Porto da Pedra. Acostumada aos passos de funk, a nova integrante da agremiação também diz ter familiaridade com o batuque dos ritmistas. “Funk é funk e samba é samba. Funk é mais jogar a bunda e fazer passinho, mas para sambar, tem que ter samba no pé. Eu fui criada na Penha e frequentava a quadra da Mangueira, onde aprendi a sambar vendo as passistas”.</p>
<p>Mas a própria MC afirma que se surpreendeu com o cansaço no ensaio-técnico da Porto da Pedra e procurou imediatamente um personal trainer. Para se preparar, alimentação saudável e corridas diárias na praia. Mesmo com a boa recepção da comunidade e com o histórico de samba, Maysa Hophe, de 21 anos, confessa estar perdendo noites de sono. “Eu não consigo nem dormir, estou muito ansiosa mesmo. Quando eu era menor, ficava vendo as passistas dançarem e pensava: um dia ainda vou dançar como elas”, conta Maysa, consciente de que o dia está muito próximo de chegar.</p>
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