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Uma boa novidade na difícil tarefa de combater o incômodo chulé

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Pamela Araujo 25/03/2012

Meias com bactericida podem ser a solução para o fim do mau cheiro. De quebra, o produto não causa problemas na pele, como coceiras e o aparecimento de fungos

Seja em uma loja de calçados, em um vestiário ou mesmo em casa, não há nada mais constrangedor, para quem tem chulé, do que tirar os sapatos em público. Se você é uma dessas pessoas, a notícia é animadora: pesquisadores espanhóis parecem ter encontrado uma solução para o problema. Eles criaram um tecido antibacteriano para a fabricação de meias que não produzem mau cheiro após seu uso e que, de quebra, não causam problemas na pele, como coceiras e fungos. A expectativa é que o produto seja comercializado em breve. 

A novidade foi desenvolvida pelo Centro de Inovação Tecnológica da Universidade Politécnica da Catalunha – inaugurado em 1972 e especializado no desenvolvimento de novas estruturas têxteis para aplicações práticas –, com o apoio da empresa Sutran y Mas, responsável pela comercialização da primeira camiseta antissuor do mundo. 

Para produzir o tecido, os cientistas misturaram fibras de celulose com uma solução de zinco e outros componentes que funcionam como bactericidas. Atualmente, os produtos têxteis comercializados para evitar o mau cheiro provocado pelo suor utilizam como agente bactericida a prata, elemento que causa efeitos colaterais na pele, como dermatose, fungos e coceiras. 

Os pesquisadores espanhóis comprovaram que o zinco aplicado na fibra elimina 99,8% dos microrganismos Staphylococcus aureus e 97,8% dos Klebsiella pneumoniae, bactérias que causam o mau cheiro. Além de evitar o odor, a meia pode ser útil para pessoas que sofrem de excessivo suor e esportistas, no controle da umidade.

A especialista Regina Schechtman, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, acha válida a invenção, visto que os produtos vendidos hoje para “acabar” com o chulé nem sempre surtem efeito e podem causar alergias. Segundo ela, o chulé é o nome popular dado à bromidrose que acomete a planta dos pés – patologia provocada pela proliferação bacteriana nessa região. Segundo a especialista, as mesmas bactérias que causam o chulé são responsáveis pelo odor desagradável na região das axilas, popularmente conhecido como “cecê”. 

Schechtman explica que a pessoa com chulé pode ter bromidrose e hiperidrose, mas não necessariamente os dois. 

“Nem sempre quem tem chulé tem excesso de suor. Pessoas com sudorese normal também podem desenvolver esse mal”, observa. 

A bromidose nos pés pode ser acompanhada ainda de um quadro de maceração, que proporciona um aspecto esbranquiçado à pele ou descamação. 

A dermatologista esclarece ainda que, ao contrário do que muita gente pensa, chulé não é sinônimo de falta de higiene. Segundo ela, há pessoas que são geneticamente predispostas a ter chulé e algumas, mesmo fazendo tratamento, não conseguem se ver livres dele. 

“Tem paciente que faz de tudo e nada resolve. A explicação está na colonização da pele dessas pessoas pelas bactérias causadoras do chulé, que se dá de forma única em cada indivíduo, ou seja, cada um tem uma flora bacteriana e não se pode mudá-la”, elucida. 

É o caso da estudante Tatiana Bernardo Borges, de 25 anos, que sofre com o problema desde criança. 

“Já até me acostumei. Na minha família, só eu tenho. Quando criança fazia uso de talco antisséptico, mas já não uso mais porque não resolve. Só para o odor não piorar, procuro trocar de meias todos os dias”, conta. 

Sobre a invenção que promete dar fim ao seu problema, embora não totalmente convencida de que o produto funcione, Tatiana diz que experimentaria as novas meias. 

“Não custa tentar”

Mas, enquanto o produto ainda não entra no mercado, Schechtman dá algumas dicas para prevenir ou amenizar os sintomas da bromidrose nos pés, como: usar talco antisséptico, reaplicando-o pelo menos duas vezes ao dia, e trocar diariamente as meias – se possível andar com um par extra na bolsa para trocá-lo durante o dia. Para quem sofre concomitantemente de hipersudorese (suor excessivo), é recomendado ainda o uso de talco desodorante para os pés. 

 

 


O Fluminense


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