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Polícia Militar atua em cinco escolas estaduais de Niterói

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Ruy Machado 02/05/2012

Instituições de ensino niteroienses passam agora a contar com policiais dentro, nas portarias e também no entorno das unidades para reforçar assim a segurança escolar

Cinco escolas de Niterói passaram a contar desde quarta-feira com reforço de policiais militares fardados e armados dentro, nas portarias e no entorno das unidades, com objetivo de reforçar a segurança escolar, que engloba a proteção de alunos, professores e servidores administrativos, bem como a segurança patrimonial dos estabelecimentos de ensino. A medida foi assegurada com a assinatura, no Palácio Guanabara, de um Termo de Cooperação pelas secretarias estaduais de Educação e Segurança. O ato instituiu o Programa Estadual de Integração e Segurança (Proeis) na rede estadual de ensino.

Em Niterói, serão seis policiais em cada instituição, ao todo 30 na cidade, neste primeiro momento. A secretaria de Educação vai investir cerca de R$ 2 milhões por mês para contar com o patrulhamento extra.

Para o governador Sérgio Cabral, o convênio é mais uma prova da integração dos setores, adotada pela administração do Estado nos últimos anos. Uma parceria que otimiza recursos e traz benefícios para todos.

“Essas escolas que recebem o Proeis vão ganhar um outro nível de valor. Os pais desses meninos e meninas passam a ter outro nível de tranquilidade em relação a seus filhos e filhas. E os diretores e professores passam a ter outro nível de tranquilidade em relação ao ir e vir. É uma nova visão da polícia que é o que está acontecendo hoje em todo o Rio de Janeiro”, afirmou Cabral.

As unidades foram escolhidas pela Secretaria de Educação por conta de um histórico de delitos registrados no dia a dia, como invasão para uso de quadras esportivas e piscinas e para consumo de drogas no pátio, brigas entre alunos, roubos e furtos, a partir de informações e solicitações de diretores. De acordo com o diretor geral do Colégio Estadual Manoel de Abreu, em Icaraí, Marco Miniz, a medida é positiva e irá ajudar os educadores no momento em que, somente terão como preocupação a educação, ficando a cargo da Polícia Militar manter a segurança na unidade.

“Tínhamos muitos problemas à tarde e o policiamento ajudará na segurança da escola. Os pais de alunos serão comunicados sobre esta medida em uma reunião. Alguns alunos estranharam a medida, mas a presença dos policiais vai prevenir um problema como o que aconteceu em Realengo”, disse, se referindo ao massacre na escola Tasso da Silveira, há pouco mais de um ano, quando 12 crianças morreram atacadas por Wellington Menezes de Oliveira de 23 anos, que invadiu a escola armado com dois revólveres e começou a disparar contra os alunos.

O secretário de Educação, Wilson Risolia, não tem dúvidas do sucesso da medida.

“É mais um investimento que fazemos na rede estadual. Trabalhamos intensamente durante quatro meses nessa parceria, que considero essencial. Os policiais têm que ser exemplo para essa garotada que está em nossos colégios. Essa ação mostra, mais uma vez, a parceria entre as áreas do Governo em prol do cidadão”, afirmou o secretário de Estado de Educação, Wilson Risolia.

423 PMs à disposição
De acordo com o Governo do Estado, inicialmente, 90 escolas da rede terão a segurança reforçada com a presença de 423 policiais militares dentro e no entorno das unidades. Os profissionais irão trabalhar fardados e armados, utilizando as horas de folga do serviço regular na PM. Nessa primeira fase do convênio, serão beneficiados 115.490 alunos e 6.279 professores. Algumas escolas terão policiamento por até 24 horas. O policial inserido no Proeis cumprirá três turnos de oito horas cada e receberá a quantia de R$ 200, se for oficial, e R$ 150, se for praça.

Os policiais escalados para atuar em escolas nas horas de folga terão, de segunda a quarta-feira da semana que vem, um treinamento especial para aprender a lidar com as possíveis situações que surgirem. O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariana Beltrame, considera o programa uma forma digna e segura de dar ao policial a alternativa ao bico com garantia de seus direitos trabalhistas.

“Muitos policiais, várias vezes, fazem este tipo de atividade sem nenhum tipo de amparo, podendo, inclusive, pôr a vida em risco e posteriormente vir a deixar seus familiares totalmente desamparados”, frisou Beltrame.

A coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Beatriz Lugão, não acredita que a medida irá solucionar o problema.

“Posso afirmar que grande parte das escolas não apenas do Grande Rio, mas também da Baixada, estão passando por esse problema. É uma situação muito complexa que não vai ser resolvida apenas com policiamento ao redor das unidades escolares. O que as escolas precisam é de mais funcionários, como inspetores, por exemplo. A superlotação das escolas é outro fator que precisa ser revisto”, comentou.

Homens também reforçam segurança nas ruas
Outra medida para Niterói que começou ontem foi o patrulhamento feito por policiais militares do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis). Contratados pela Prefeitura de Niterói, 100 homens farão o policiamento das ruas da cidade onde apresentam mancha criminal, incidência de assaltos a transeuntes, carros, residências e comércios, além de tráfico de drogas. A previsão é que mais 30 PMs cheguem à cidade até o fim da próxima semana e este número chegue a 200 até o fim do mês. O convênio tem prazo de um ano e poderá ser renovado. Inicialmente serão investidos R$ 4,6 milhões destinados ao pagamento das gratificações. A remuneração aos policiais militares será de R$ 150, por turno de 8 horas, para os praças e R$ 175, por turno de 8 horas, para oficiais. A expectativa é que os índices de criminalidade na cidade se mantenham em uma curvatura descendente.

“A prioridade é que esses policiais militares fardados façam o policiamento ostensivo a pé, para garantir a segurança da população. Ao todo, a Prefeitura colocará nas ruas, por dia, 170 homens (130 PMs e 40 guardas-municipais) para atuar em parceria com os 120 policias em serviço pelo 12º BPM (Niterói). Achamos que nesse momento esse número vai atender, mas esperamos chegar até o fim de maio com 200 policiais militares nas ruas, se for necessário”, declarou o secretário de Segurança e Controle Urbano, Ruy França.

O Secretário Ruy França tem se reunido com o comandante do 12º BPM, coronel Wolney Dias, e já mapearam pelo menos 100 pontos com registros de criminalidade, os locais de maior incidência de crimes e o perfil de ocorrência deles.

Para Wolney Dias, a chegada deste reforço ajudará a manter em queda os índices de criminalidade na cidade. “A expectativa é muito boa, pois são mais 100 homens distribuídos em diversos logradouros da cidade. Essa parceria com a prefeitura, através da Secretaria de Segurança Pública e Controle Urbano, trará frutos para a população de Niterói, possibilitando a implantação de diversas medidas e liberar outros policiais para operações na cidade”, disse.


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Comentários

Esta matéria possui 17 comentário(s)
  1. vania - 02/05/2012 - 22:35

    Excelente! Acho que todas as escolas precisam desse apoio.
    A Escola Estadual Conselheiro Josino no bairro do Fonseca precisa bastante dessa presença!

  2. Dr Roney - 02/05/2012 - 21:31

    Excelente!

  3. Maria - 02/05/2012 - 23:14

    Não sei se é uma medida boa, ou desesperada. Os alunos devem mesmo conviver com PMs? Será que se a segurança fosse bem feita, precisaríamos de polícia na educação? A que ponto estamos chegando! E, por outro lado, o dinheiro da educação está sobrando? Não é o que parece...

  4. Dr Roney - 03/05/2012 - 06:41

    Só quem não vai gostar vai ser o grupo dos traficantes...

  5. bmggarcia - 03/05/2012 - 10:01

    O contribuínte municipal vai pagar a policia para ela cumprir sua missão institucional para qual já recebe remuneração do estado.O recado e claro a polícia fracassou?Foi instituída uma polícia particular. Dinheiro público municipal está se desviando de sua finalidade precípua para pretender "melhorar" a segurança no município. Isso é constitucional? A instância do município que lida com segurança mesmo que patrimonial e a guarda municipal.

  6. Hermógenes Torres - 03/05/2012 - 14:19

    Não deixa de ser um potencial risco esse "approach", como bem acentuou a leitora Maria. São universos comprovadamente antagônicos, é uma questão muito complexa e delicada, apesar da boa intenção dos seus mentores.

  7. SOCORRO - 03/05/2012 - 08:30

    Esta atitude mostra o quanto precisamos rever a relação das famílias, dos educadores.
    Trabalhei em uma escola estadual que já havia a presença da polícia e não houve melhora. As adolescentes ficam conversando com o policial e este adorava porque estava rodeado de meninas...
    A presença deste profissional deixa visivel que a situação está fora do "controle" pela instituição escolar, família e governo.
    É lastimável!!!!!!

  8. Maria Fernanda - 03/05/2012 - 09:01

    E as ruas de Niteroi, Sg e redondesas?

  9. Hosteobaldo Varicocelis da Silva - 03/05/2012 - 12:20

    Estamos voltando para a época da Ditadura ao colocar a polícia dentro das Escolas Públicas. Isso demonstra cada vez mais que o causador da violência na sociedade é originado nas camadas populares.

    Pq o Estado não coloca a polícia dentro do Abel, do São Vicente e do GayLussac?

    A polícia servirá apenas para reprimir os professores de falarem o que quiserem dentro das escolas.

    É lastimável essa situação.

  10. Abgail Delamare - 03/05/2012 - 21:40

    Que DEUS proteja e oriente os Agentes de Segurança designados para essa árdua tarefa. Que da mesma forma proteja o corpo docente e discente das Instituições de Ensino contempladas com esse merecido aparato. Amém .

  11. Zacharias Atala - 03/05/2012 - 21:50

    Apesar do risco que possa suscitar, a medida é bem-vinda, particularmente nesse momento que Niterói atravessa, no tocante à segurança . Parabéns.

  12. CB JULIO 12 BPM - 04/05/2012 - 09:59

    Bela iniciativa! esse trabalho trará bons resultados na segurança escolar, não podemos deixar nossas crianças a mercê de marginais que os amolestam. A PM e a GM estarão sempre prontas para dar a maior seguranças aos professores, funcionários, estudantes e ao patrimônio público. Parabéns as autoridades que tiveram essa iniciativa.

  13. ARMANDO CRUZ - 04/05/2012 - 13:53

    A perspectiva de crescimento do RJ deve expressar-se, na educação, com o fim do caos ético que se revela nas condições de trabalho do educador e na forma como os pais entendem o papel da escola, na sociedade. É difícil de acreditar nos políticos que têm, por fixação modernista, a visão econômica do Estado mínimo, na área de educação e atenção a saúde, e, que não gostando de servidores públicos, pratiquem governança de projetos pedagógicos de excelência, sustentáveis e exequíveis.

  14. ARMANDO CRUZ - 04/05/2012 - 13:53

    Chegamos ao nível de termos de lançar mão do aparato repressor do Estado. Temos aí a certeza de que o sinal vermelho está aceso no conjunto das atribuições do gestor pedagógico. Reavaliação dos planejamentos da logística física dos equipamentos pedagógicos, sistemas, governança dos processos e etc, tem que ser pra valer. Não dá mais pra ficar na política do pão e circo. A situação é grave! Inspetores não podem ser agentes penitenciários! É hora de vivenciarmos a fraternidade da BOA ética!

  15. ARMANDO CRUZ - 04/05/2012 - 13:53

    Um Mestre disse aos seus discípulos que separassem o joio do trigo quando fosse possível identifica-los, em crescimento. É preciso aguardar o momento certo para identificar as diferenças entre o trigo e o joio. É assim que se deve agir para delegarmos responsabilidades técnica complexas na gestão da coisa pública e na condução da educação. Precisamos de líderes na ambiência de fraternidade e justiça da Escola e que tenham a alegria da expertise de ser transformador da sociedade, na Escola.

  16. Ricardo - 05/05/2012 - 08:37

    Acho muito bom porque com as upps na capital parece que os outros municipios nao precisa de reforço estamos ABANDONADOS

  17. José da Silva - 05/05/2012 - 22:25

    Chegamos ao fundo do poço.Nossas escolas autoritárias com seus castigos, expulsões e ilegalidades que ameaçam seus alunos todos os dias agora contam com mais um isntrumento para ameaçar os alunos: a Policia Militar que vai assumir as funções da escola.Demitam os professores de uma vez.

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