Suspeito que atuava como professor, sem possuir qualquer tipo de formação acadêmica, também é investigado por intermediar suposta venda de anabolizantes na Zona Sul de Niterói
Uma operação da Delegacia de Crimes Contra o Consumidor e à Economia Popular (Decon), com o Conselho Regional de Educação Física (Cref), prendeu na manhã desta terça-feira um homem de 30 anos que atuaria como falso personal trainer em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. A ação de fiscalização foi motivada por várias denúncias de que ele estaria dando aulas na academia Vida Útil, na Rua Engenheiro Guilherme Greenhalgh, sem possuir formação na área. Ainda segundo denúncias, ele também intermediaria a venda de anabolizantes.
A supervisora de fiscalização do Cref, Bethânia Soares, afirmou que o acusado ministrava aulas e orientava o uso de suplementos. O falso profissional cobraria, segundo ela, R$35 por hora de aula, preço abaixo do valor de mercado. Ainda segundo a fiscal, o Cref já havia fiscalizado a mesma academia outras vezes para checar as denúncias, mas, normalmente, o falso profissional se passava por aluno para escapar da punição.
“Isso nos faz acreditar que a academia seja conivente com ele. Porque mesmo sabendo que ele não tinha formação, deixava que atuasse aqui. Sempre que chegávamos à recepção ele era avisado. Mas dessa vez entramos em contato com a Decon para que pudesse nos auxiliar. Um fiscal do Cref e um policial entraram na academia à paisana e se passaram por alunos interessados nas aulas. Ele disse que não tinha horário para atendê-los, porque estava com muitos alunos”, informou Bethânia.
Além de uma mulher que era orientada pelo falso personal no momento em que a polícia chegou ao local, outras alunas da academia teriam contado que tiveram aulas com ele. Para elas, o falso professor costumava dizer que possuía pós-graduação. Surpresas, muitas elogiaram sua atuação e disseram desconhecer o envolvimento dele com anabolizantes.
“Eu treino com ele há muito tempo e estou surpresa com a notícia. Nunca soube que não tinha formação, muito menos que trabalhava com anabolizantes. Ainda mais porque ele só tem alunas mulheres e nunca vi oferecendo esses produtos a ninguém”, disse uma delas.
Os representantes do Cref informaram ainda que o acusado nunca havia estudado Educação Física. Ele foi levado para a Decon e autuado por exercício ilegal da profissão e crime de perigo à saúde de outros. A pena por ministrar aulas sem formação varia de 3 meses e a 2 anos de prisão, enquanto a do segundo delito vai de 3 meses a um ano, se não acarretar consequências graves. O suspeito pagou fiança de R$ 4,8 mil e vai responder aos crimes em liberdade.
Multa – Apesar do acusado não ser funcionário contratado da academia, o estabelecimento foi denunciado ao Ministério Público e à Vigilância Sanitária. O proprietário também deverá responder à sindicância na Comissão de Ética do Cref e, caso seja constatada conivência com o acusado, ele poderá sofrer punições administrativas.
Nesta terça-feira mesmo a Vigilância Sanitária de Niterói esteve no local e multou a Academia Vida Útil em quase R$ 2 mil por não ter apresentado a licença anual sanitária. Além disso, o estabelecimento foi intimado a realizar em 30 dias pequenos reparos para melhorar a conservação e a limpeza do prédio. Não foi encontrado nenhum produto mal conservado ou vestígio de uso de anabolizantes no local. Foi constatada também pela equipe da Vigilância Sanitária de Niterói que o cadastro de usuários com referidos laudos médicos estava em dia.
Morte – Em maio do ano passado, o vendedor aposentado Nerci Nunes Xavier, de 68 anos, morador de Mangueira, em São Gonçalo, morreu após fazer exercícios físicos em uma das filiais da academia no Niterói Shopping, no Centro. Ele teria feito esforço no aparelho conhecido como esteira.
O então delegado da 76ª DP, Luiz Antônio Businaro, informou que ia apurar se houve negligência por parte da academia e se os exames médicos dos alunos eram renovados a cada seis meses, como exige a lei.
Os responsáveis pela academia foram procurados para comentar as duas acusações, mas ninguém se pronunciou até o fechamento desta edição.
O FLUMINENSE
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