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Casos de violência contra idosos registrados em dossiê

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Aline Balbino 10/06/2012

Dados do ISP mostram que crimes mais comuns são estelionato, roubos, ameaça e lesão corporal dolosa. Niterói e Maricá aparecem em segundo lugar com maiores estatísticas de violência contra idosos

 

 

Será comemorado no próximo dia 15 o Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Pessoa Idosa, mas, na área de abrangência do 12º BPM (Niterói), não há motivos para festejar. Segundo um dossiê feito pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP/RJ) Niterói e Maricá aparecem em segundo lugar no ranking com mais casos de violência contra o idoso. Os dois municípios registraram 3.440 casos, perdendo apenas para a área de Cascadura e Madureira, no Rio de Janeiro. Já São Gonçalo, responsabilidade do 7º BPM, aparece em 6° lugar. Os crimes mais comuns são: estelionato, roubos de rua, ameaça, lesão corporal culposa de trânsito e lesão corporal dolosa. 

De acordo com Emmanuel Caldas, sociólogo e participante na criação do dossiê, a metodologia usada para encontrar o alto índice foi exatamente os números de registros feitos nas delegacias de Niterói.  

De acordo com o levantamento, só em 2002, houve 388.689 registros de crimes relacionados à terceira idade em delegacias do Rio de Janeiro. 

Existe um estudo para a criação de uma Delegacia Especializada no Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (DEAPTI) em Niterói. Existe a possibilidade dela ser instalada no 2° andar da 76ª DP no Centro da cidade, onde já se concentra atualmente a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e a Delegacia da Mulher (DEAM). 

Índices - A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que os índices de crimes contra o idoso nas duas cidades foram analisados pelo Departamento Geral de Polícia Especializada (DPGE) e que não foi visto nenhum impedimento para a criação da delegacia. Porém, ainda não há previsão para que ela seja criada. 

A subsecretaria de Planejamento e Integração Operacional (SSPIO) analisa agora a viabilidade de pessoal e verba. 

Atualmente Niterói possui 83.625 idosos, sendo 32.525 homens e 51.100 mulheres. 

O levantamento do ISP mostrou que crimes contra idosos não são apenas violência física, mas também verbal e psíquica. Os crimes são variados. Uma aposentada de 67 anos foi assaltada no último dia 12 de fevereiro dentro de uma loja de departamento de Niterói. A mulher, que é moradora do Centro de Niterói, não conseguiu percebeu quando o assaltante roubou sua bolsa.

“Eu não consegui sentir que estava sendo roubada. Só percebi quando fui pagar meu cartão dentro da loja. Percebi que estava sem minha carteira com todos os documentos dentro. Comecei a passar mal na hora, eu cheguei a ficar sem ação. Fiz o registro na delegacia e consegui recuperar meus documentos roubados. Ao todo o ladrão roubou R$ 80. Não consigo imaginar como alguém consegue roubar uma senhora de 67 anos”, lamentou.

O médico Carlos Augusto Bittencourt Silva, criador do Projeto Gugu, disse que crimes contra o idoso são mais comuns do que as pessoas pensam. 

“Acredito que crimes contra a pessoa idosa sempre existiram. Muitos não são agredidos fisicamente, mas verbalmente e isso atinge muito a pessoa de mais idade. Às vezes uma palavra de desprezo pode ser pior que a violência. O idoso precisa de uma atenção especial, precisa de carinho”, contou.  

A geriatra Ana Luz explica que muitos idosos se acostumam com os maus tratos, pois têm medo de ficarem sozinhos.

“Crime contra idoso não é apenas físico. O ato de você tratar mal, deixar de alimentar ou até pegar dinheiro, por si só já é um crime. Tem filhos que maltratam seus pais que são idosos e maltratam com palavras, não batem, mas não tem o menor respeito. Desprezam, ignoram, gritam e isso fere muito os sentimentos de pessoas que por si só já são carentes. É necessário tratar essa fase com compreensão e paciência. Muita gente não tem paciência com o idoso e isso causa até mesmo doença, pois gera depressão”, disse.

 


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