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Plástica precoce

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Pamela Araujo 23/10/2011

Motivadas por saúde ou vaidade, intervenções entre adolescentes aumentaram 8%

Eles já representam uma fatia importante do mercado de procedimentos estéticos no País, fato que suscita uma questão polêmica: afinal, adolescentes podem ou não podem fazer cirurgia plástica? Uma pesquisa mais recente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) revelou que, em 2009, de 629 mil cirurgias plásticas, 50.320, ou seja, 8%, foram realizadas em adolescentes com até 18 anos. Para especialistas, cada caso deve ser avaliado com atenção, respeitando a idade mínima para cada procedimento e as motivações do jovem cliente, a fim de se evitar transtornos futuros, tanto físicos como emocionais.

“Por se tratar de uma fase em que algumas partes do corpo ainda estão em formação, há procedimentos que podem ser realizados e outros que não são indicados”, responde o cirurgião plástico, membro da SBCP, Rodrigo Mangaravite.

Segundo o profissional, de cada dez pacientes que buscam atendimento em seu consultório, pelo menos um é adolescente. Bem-informada, a maioria chega aos consultórios certa do procedimento que deseja. Mangaravite comenta que é importante, antes de qualquer intervenção, identificar os anseios do adolescente e os motivos que o levaram a tomar tal decisão.

“Esse paciente requer uma atenção especial, não só devido ao aspecto físico, mas também psicológico. É preciso identificar na conversa, por exemplo, se o problema relatado por ele está dificultando o relacionamento em seu grupo social, gerando inibição, e mesmo criando traumas. Nesses casos, a cirurgia pode melhorar sua autoestima, contribuindo, e muito, para o seu desenvolvimento psicossocial. Normalmente, já na primeira consulta após a cirurgia é possível notar sensíveis mudanças de comportamento, na postura e na fala”, explica o cirurgião.

Nas clínicas, entre as cirurgias mais procuradas pelos adolescentes estão a rinoplastia, a plástica de mama (tanto para aumentar como para reduzir) e a lipoaspiração. Para cada uma é recomendada uma idade mínima, associada ao desenvolvimento da região a ser operada.

“A operação da mama não é indicada antes do 18 anos, salvo em casos de hipertrofia mamária, quando o seio cresce demais e começa a afetar a postura da jovem, problema que pode ser corrigido a partir dos 16. Também não é recomendado operar o nariz antes dos 15”, explica a cirurgiã Marta Fraga.

A estudante Thaís Souza Barcellos, de 19 anos, é um exemplo de como a cirurgia pode ser positiva na adolescência. Aos 16 anos, ela começou a amadurecer a ideia de resolver cirurgicamente um problema que a constrangia: seios grandes. Mas, foi aos 18 que a jovem, de 1,59 m e cerca de 50 quilos, tomou coragem para se submeter à cirurgia de redução de mama e, de quebra, a uma lipoaspiração. Com o procedimento, ela reduziu dois números do seu sutiã, passando do manequim 48 ao 44.

“Meu busto era desproporcional ao meu corpo e eu sentia dores nas costas, então, resolvi que faria a cirurgia. Só acabei prolongando um pouco minha decisão por medo. Se soubesse que correria tudo tão bem, teria feito antes”, relata a jovem.

Sua mãe, a comerciante Jaimar Barcellos, de 51 anos, atesta a melhora na autoestima da jovem após o procedimento.
 
“Os seios grandes traziam muito desconforto para ela, que sempre foi magrinha. Era difícil até achar biquíni, pois, ao contrário de hoje, em que se vendem peças separadas, ela tinha que comprar dois conjuntos: um G e um P. O pai também brigava, porque não entendia o quanto era difícil encontrar roupa para ela, já que os seios sempre sobressaíam muito. Tímida, ela chegava a chorar por causa do assédio dos homens na rua”, diz Jaimar.

Ainda na infância

Um procedimento que pode ser realizado antes da adolescência é a otoplastia, cirurgia que corrige a orelha de abano. De acordo com Mangaravite, a intervenção pode ser feita a partir dos cinco anos, quando a orelha já está formada. 

Outra procura comum é a de pacientes com ginecomastia - nome dado ao crescimento das mamas nos homens, geralmente associado a desequilíbrios hormonais.

“A cirurgia nesse caso é bastante indicada porque essa patologia traz enorme desconforto para o jovem, que, envergonhado, acaba se recusando a praticar esportes e se afasta de outras atividades sociais, como ir à praia”, avalia.

Também são indicadas cirurgias que melhoram a aparência de adolescentes que tiveram alguma malformação congênita e, inclusive, já foram submetidos a cirurgia reparadora na infância. É o caso da estudante Milla Sol de Souza, de 16 anos, que nasceu com lábio leporino e passou por um enxerto ósseo ainda bebê, e recentemente fez outra intervenção cirúrgica.

“Só faltava a rinoplastia para eu me sentir inteiramente bem”, resume a adolescente. n


O FLUMINENSE


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