Esqueça o perfil de uma avó que faz crochê ou fica em casa, cozinhando para os netos. Pense em mulheres ativas e poderosas, que romperam tabus na década de 60 e agora, na maturidade, querem namorar, trabalhar e curtir a vida, assumindo a idade e usufruindo de toda a experiência e sabedoria que os anos lhe deram. Um perfil amplo dessas mulheres é retratado na série ‘É a Vovozinha’, que a TV Brasil exibe desde maio, em 32 episódios, sempre às segundas-feiras, às 20 horas.
“Essas mulheres tiveram uma juventude diferente da que suas mães tiveram. Estão envelhecendo de forma diferente. Elas quebraram paradigmas da juventude e estão quebrando o que se pensava da velhice também, afinal, nunca se viveu tanto”, observa a diretora do programa, a cineasta Renata Druck.
A relação da cineasta com o programa começou em 2009, quando a jornalista Maria José Reis e a filha dela, a roterista Keka Reis, convidaram Renata para dirigir a atração, que faz parte do segundo pitching (espécie de concurso) da TV Brasil, voltado para o tema “Mulher: Questões de Gênero e Assuntos Contemporâneos”. Mas, o trabalho estava desenvolvido bem antes da chegada de Renata, tendo sido escrito a quatro mãos, em 2005.
Com a ajuda das atrizes Lilian Blanc, Bia Toledo, Berta Zemmel e da narradora Imara Reis, a série mistura ficção com narrativa e traz à tona diversas questões que permeiam a mudança de comportamentos e convenções. Entre outros temas, discute o mercado de trabalho, sexo, novas tecnologias, o momento em que os filhos saem de casa, o tornar-se avó e a família contemporânea.
Ainda longe de integrar o quadro da terceira idade, Renata salienta duas características que lhe chamaram a atenção desde o começo das filmagens, no ano passado.
“Percebi que o envelhecimento é uma questão melhor recebida pelas mulheres. Os homens ficam muito mais solitários. O jovem, quando pensa em amadurecer, vê isso como certo peso, já quem se aproxima da terceira idade não a encara como um peso”, lembra Renata.
Voltando à questão que inicia esse texto, Renata é taxativa ao dizer que o título do programa é uma ironia.
“Vovozinha é uma ironia. Estamos investigando um grupo que é bem diferente da imagem das avós de antigamente. A atual vovó estudou, trabalhou e tem uma vida própria”, dispara Renata.
O FLUMINENSE
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