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Cães de raça: Empresários dizem que pedigree é peça chave para lucro

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Luana Souza 01/04/2012

O negócio é planejado de forma que seja rentável e, ao mesmo tempo, não explore demais os animais. Apesar de caros, cãezinhos são bastante procurados

Eles fizeram das suas paixões as maiores fontes de renda. Hoje, donos de grandes canis mostram que o investimento é cada vez mais lucrativo. Apesar de caros, eles contam que os cãezinhos com pedigree são muito procurados no mercado.

O empresário Victor Betinger, de 54 anos, que há 10 anos largou a carreira de advogado para investir na venda de cachorros com pedigree, mudou para trabalhar com o que gosta. Ele conta que sempre amou animais, mas que a mãe nunca o havia deixado tê-los. Ele chegou a doar os ternos de trabalho para moradores de rua, comprou uma casa de quintal grande e a transformou em um canil. Ele começou com uma matriz de filhotes (macho e fêmea) da raça Sharpei, de origem chinesa, e hoje já conta com dez fêmeas e um macho, que são os que garantem o faturamento da casa.

Eles já renderam uma ninhada de 17 filhotinhos, que estão atualmente disponíveis para venda. Cada um deles custa R$ 950, mas quando se trata de pedidos para fora do País, como Portugal e Estados Unidos, os valores vão além de U$ 2 mil (cerca de R$ 3,7 mil).

Segundo o proprietário do canil, o negócio foi feito de caso pensado para render e ao mesmo tempo não explorar demais os animais. A cada seis meses, quando as fêmeas entram no cio, apenas a metade é colocada para cruzar. No próximo ciclo é a vez das que ficaram de fora. Teysan, Mulan e Shira são algumas delas.

Identificação – A atividade é regulamentada e os vendedores e animais precisam estar cadastrados no Kennel Clube Fluminense, responsável por expedir o pedigree, atestando 100% da raça pura. Na certidão de nascimento quem dá o primeiro nome é o comprador, enquanto o sobrenome é a marca do canil. Outros detalhes do mesmo documento são os dados dos pais do filhote e dos avós, que são enviados para a Federação de Cinofilia Internacional (FCI), na Bélgica, para a conferência de dados e só então é autorizada a emissão de documento de identificação do cãozinho.

Hospedagem e adestramento são diferenciais de luxo

O treinador Marcelo Aguiar apostou no negócio de canis de forma diversificada. Além dos lucros com as vendas de cãezinhos com pedigree, ele oferece o serviço de adestramento e até de hospedagem para cachorros.

O serviço, considerado um diferencial e de luxo, custa R$ 55 a diária de hospedagem para que o cachorro – que fica supervisionado por treinadores -, tenha um espaço coberto individual, alimentação, recreação e o tradicional banho, antes da volta para casa. Já o adestramento fica em torno de R$ 2 mil, que pode ser até parcelado. Na parte de vendas do canil, ele trabalha com Bulldogs franceses e ingleses, além de Staffordshire bull terriers, de origem inglesa, e os Pugs chineses, que são vendidos também por preços altos. Ao todo, são quase 40 cães com pedigree.

Marcelo conta que a paixão pelos bichos começou com o pai, mas a ideia de fazê-la “um negócio da família Aguiar”, partiu da própria mãe, a também empresária Tarcila Oliveira. Ele era dono de uma academia, mas com o passar dos anos começou a se interessar pelo negócio fazendo cursos de auxiliar de veterinária, cinofilia e adestramento. A aposta na qualificação rendeu a algumas raças títulos de inúmeras premiações do Kennel e ainda a participação em programas televisivos.

Algumas ninhadas podem valer ouro

Luzia Nogueira, proprietária do Canil West Lu do Brasil, de 34 anos, começou há 12 anos como tosadora em uma loja da Região Oceânica de Niterói. Depois que uma cliente desistiu de um canil com cachorros da raça West Highland Terrier, o escocês caçador, conhecido como o cãozinho de um provedor de internet. No início, eles eram apenas cinco fêmeas e um macho. Hoje já são 16 cães, que podem render uma média de R$ 50 mil se vendidos de uma só vez, visto que o valor de mercado da espécie é de R$ 2,5 mil para os machos e R$ 3 mil no caso das fêmeas.

A procura, segundo ela, é grande. Os filhotes são vendidos após o período de 45 dias de nascidos, para um público “classe A”, das Zonas Sul do Rio de Janeiro, Niterói e de outros estados. 

“As fêmeas chegam a dar de uma só vez até sete filhotes, mas isso depende da ninhada. O comprador do West Highlander deve ser criterioso na avaliação de bom estado do bichinho, que tem orelhas e rabo sempre em pé e pêlos bonitos, sem falhas. Os westies são os melhores companheiros para as crianças”, completou a empresária.

Elogiada por onde passa, de pêlos brancos e bem esperta, a cedelinha Branca, uma das matriarcas da ninhada de ouro de Luzia, já ganhou até o título de campeã como “a melhor da raça”, do Kennel Clube, pelo Canil West Lu do Brasil. De acordo com Luzia, a raça é bastante visada e os clientes chegam a fazer filas de espera pelo nascimento dos bichinhos, que são um tanto caros.

“As pessoas gostam tanto, que para ter um cãozinho da raça pedem para parcelar o valor. Os custos com a divulgação dos westies são baixos, através da internet e os clientes chegam de todos os cantos. Sou bem procurada no ramo que escolhi trabalhar”, comemora.


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Comentários

Esta matéria possui 16 comentário(s)
  1. Sergio - 02/04/2012 - 19:21

    Lamentavel a exploração dos caes como maquinas de reprodução, vejam o que aconteceu em SP com 130 animais

  2. Gabrielle - 02/04/2012 - 11:18

    Lamentável tratar animal como mercadoria...

  3. Gabrielle - 02/04/2012 - 11:18

    Lamentável tratar animal como mercadoria...

  4. jujuset - 02/04/2012 - 10:19

    É um absurdo explorarem animais com fins comerciais, visando lucro. Isso é uma crueldade, e sabemos que poucos cuidam dos pobres com dignidade. O ser humano vê dinheiro em tudo. Enquanto vários animais estão abandonados nas ruas pedindo ajuda de alguém.

  5. Monica - 02/04/2012 - 11:53

    Esse cãezinhos da raça sharpei são lindos, eu tenho uma fêmea e ela é super carinhora e educada, só é muito difícil encontrar cães da raça sharpei, estou tendo muito dificuldade em encontrar um macho para cruzar com a minha fêmea, alguém conhecer um macho sharpei?

  6. Fabinho - 02/04/2012 - 20:22

    quero ver esses mercenarios de animais vacinarem, alimentarem e castrarem animais na rua...é só sairmos de casa que nos deparamos com varios animais a beira da morte
    quem compra cão de raça quer aparecer...é como comprar um carrão e sair desfilando...
    e os que vendem........eles não amam os cães...eles amam o que lhe dão dinheiro....
    assim como o cafetão ama a prostituta
    assim como o traficante ama a droga
    assim como o agiota ama os juros

  7. INDIGNADA - 02/04/2012 - 23:47

    Fabinho, parabéns! Você já disse tudo!!! No ano de 2000 resgatei um cão em estado grave; eu não sabia que era de uma raça cara...em torno de 1.000 na época me importava era salvá-lo; era um akita inu albino com o nariz rosa...fui rastreando e cheguei ao primeiro dono....era de um criador, que deu para um infeliz pobre....este cão viveu 6 anos comigo..depois vieram cockers, pincher, waimarainer, poodle.....todos um dia foram comprados...criadores, coloquem suas filhas para procriarem...

  8. Déborah - 03/05/2012 - 19:42

    Nada a ver comentários agressivos contra canil. Claro que tem a parte financeira, até pq ninguem trabalha de graça e nem vive de vento, mas existem sérias empresas que estao há anos no ramo e trabalham com amor. Acho ignorancia o comentário acima, esse problema de retirar caes da rua é das autoridades públicas e nao da sociedade, ngm cata mendigo na rua. Lá fora eles retiram e dao condiçoes dignas de adoçao.
    Eu tenho um sharpei do canil itacoatiara e recomendo a todos, amo amo amo!!!

  9. Jonatam - 07/10/2012 - 17:17

    Um absurdo e as pessoas falarem como se fosse um crime. Tanta coisa pior acontecendo com os animais , pelo omenos os vendedores vendem para pessoas que querem o animal para fazer felicidade e alegria da casa , o que gera lucro pro vendedor . pelo jeito a ignorancia esta em primeiro lugar entre os que falam mau , devem ser aqueles que nunca tiveram a oportunidade.

  10. xuxu - 26/01/2013 - 22:44

    Muito boa a matéria!!!

    Fiquei assustado com a agressividade de alguns leitores. Tenho cachoro em casa desde que nasci todos foram tratados com muito carrinho, foram comprados em canis e morreram de velhos. Aondes os leitores raivosos encotraram seus pares????? tenho certeza que nao foi em uma esquina ou em um lixão!!!!É natural escolher seus caes no melhores lugares com atestado de procedencia, indole e outros. Conselho criem cachorros de raça ou sem raça, o mundo agradece....

  11. marcos - 16/09/2013 - 14:56

    Não sou a favor de exploração mais a criação sou sim a favor pois é um ramo de trabalho não custa de graça criar bulldog não custa 0 reais criar sptiz que acha que tem que ganhar esses cães investe em umas 10 femeas quase 40 mil e da de graça para a população
    ..........

  12. persio - 29/12/2013 - 21:05

    eu sou a favor da venda dos animais até porque o povo guando ganha os bichinhos ñ dão muito valor ai vem a dispensa deles jogar na rua ñ custou nada quando é comprado as pessoas da mais valor e cuida bem
    mas as pessoas tem que ajudar os cãozinhos das ruas sim se poder adote comprado ou ganhado para quem gosta tem o mesmo valor grato

  13. sidnei - 07/01/2014 - 08:02

    os pessoal ai dizem que é um absurdo a venda de animais pq tem muitos animais na rua, mais ai eu pergunto, vcs já viram um buldog na rua, já viram um sharpei na rua abandonado, já viram um akita inu albino abandonado na rua? Pelo amor de Deus vcs estão falando besteiras, pq quem compra animais é óbvio q vai cuidar com todo carinho, pq nunca vi uma pessoa que gosta de uma coisa e compra pra deixar se acabar.
    E mais geralmente quem compra são pessoas q tem condições de dar uma vida boa aos cães.

  14. Raquel - 24/02/2014 - 15:00

    Concordo com você Sidnei. Estou estudando a possibilidade de montar um canil, com certeza, pelo lado profissional e por gostar de animais. Não é um "comércio cruel", e sim mais uma forma de ter seu próprio negócio. Gostaria que aqui fosse um canal de bate-papo sadio e não uma agressividade como vi em alguns comentários.

  15. Eduard - 10/04/2014 - 07:40

    Muitos dizem que e explorasao vender vender eses caes e que varias pessoas que compram nao cuidarao bem deles poren ninguem daria tao caro para maltratar deles.

  16. Eduardo - 10/04/2014 - 07:42

    Muitos dizem que e explorasao vender eses caes e que varias pessoas que compram nao cuidarao bem deles poren ninguem daria tao caro para maltratar deles.

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