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Mercado do Rio de Janeiro está carente de bons técnicos de som

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Henrique Moraes 07/01/2012

Piso salarial de um técnico de som para teatro está R$ 2.800,96, mas em shows esse valor chega a R$ 3.361,27. Profissional pode trabalhar em casas de show e teatros

Quem gosta de música, mas não pretende exatamente seguir a carreira musical, como músico ou cantor, a profissão de técnico de som tem sido uma boa opção. Apesar de não haver pesquisas apontando quantos estão em atividade, especialistas da área afirmam que o mercado está carente de bons profissionais.  

Podendo trabalhar em eventos, teatros, casa de shows, estúdios de gravação, cinema, tv, igrejas, entre outras atividades, o salário de um técnico de som pode ultrapassar os R$ 3,3 mil. Entretanto, o faturamento pode ser bem maior se tiver o seu próprio estúdio.

“O piso salarial de um técnico de som para teatro está R$ 2.800,96, mas em shows esse valor chega a R$ 3.361,27. Com as grandes produções de musicais, os megashows e a crescente onda de novas casas noturnas no Rio, o mercado está cada vez mais carente de profissionais”, afirma Pablo Rodrigues, diretor auxiliar da área cultural do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do estado do Rio de Janeiro (Sated-RJ).

Um técnico de som pode operar e monitorar sistemas de sonorização e gravação; editar, misturar, pré-masterizar e restaurar registros sonoros de discos, fitas, vídeo e filmes. Também preparam, instalam e desinstalam equipamentos de áudio e acessórios.

“Os principais setores são o ao vivo (sonorização), estúdios, cinema, rádio e TV. Também há espaço para os projetistas de acústica”, relata Luiz Helenio, diretor do Instituto de Artes e Técnicas em Comunicação (Iatec).

Em alta

Helenio informa que são inúmeras as oportunidades.

“Além de grandes eventos como Rock In Rio e megaturnês de artistas internacionais, o setor de broadcast (radiodifusão) está em expansão em função da implantação do sistema brasileiro de TV Digital”, prevê Helenio.

Fundado em 1999, o Iatec forma uma média de mil alunos por ano entre cursos profissionalizantes e livres para operadores e técnico de som.

“No curso técnico de áudio, que é preciso nível médio, tem formação completa com 1410 horas/aula de duração. Os cursos de operadores de áudio são cursos mais compactos com três áreas de especialização: Sistemas de Sonorização, áudio para Rádio TV e Cinema e Produção Musical”, cita.

“Há ainda os cursos livres que são curtos e destinados para aqueles que buscam uma atualização profissional”, conclui.

“Possuir bons equipamentos traz um conforto a quem os opera, mas a experiência aliada à criatividade, mesmo não possuindo muitos recursos, é sempre a melhor e maior ferramenta de um técnico ou operador de áudio”, analisa Bené Frota, sócio-fundador do Curso de Áudio Profissional (CAP), que forma uma média de 100 alunos por ano.

Troca

Silas Mendes, de 25 anos, trabalha há quatro anos na área e hoje é técnico de som no Teatro Municipal de Niterói. Também técnico em informática e músico, ele lembra que sempre se interessou pela parte técnica da música. Após concluir o curso de tecnólogo em Produção Fonográfica na Universidade Estácio de Sá, em 2008, decidiu montar o seu próprio estúdio, em uma sala comercial no prédio onde mora no Bairro Antonina, em São Gonçalo.

“Inicialmente pensei em fazer faculdade de Música, mas percebi que gostava muito também da parte técnica. Como sou instrumentista e sei que viver só de música é difícil, vi uma oportunidade de trabalhar paralelamente nas duas áreas”, explica.

Há um mês Mendes inaugurou o estúdio Zeus com um investimento de R$ 40 mil.

“Para oferecer um serviço de qualidade tem que investir no mínimo este valor. Estou alugando o estúdio tanto para ensaios como para gravação”, relata.

“Como sou ligado a quatro bandas tocando violão, guitarra e bandolim, uso o meu espaço também para ensaios e gravação de CDs das bandas”.

Investindo no próprio negócio

Jorge Pereira Martins, de 31 anos, ou simplesmente Jorge Roger, como é conhecido no meio, é formado em Direito, mas acabou não seguindo carreira em função da sua paixão pela música. Também baterista, desde 2007 resolveu montar o seu próprio estúdio.

“Como sou ligado à música desde muito novo, percebia que só havia estúdio de qualidade no Rio. Quando comecei a trabalhar como técnico de som, percebi que assim que tivesse condições de montar o meu próprio estúdio, Niterói seria o lugar ideal”, afirma.

Roger conta que a facilidade de se gravar um CD nos dias de hoje abriu o novo mercado para os técnicos de som.

“Atendemos no estúdio desde músicos e cantores profissionais a pessoas amadoras que querem gravar um CD apenas para distribuir aos amigos”, constata o sócio da SM Record, que fica no Centro de Niterói.

Atuando como operador de áudio em várias casas de shows no Brasil e no exterior, Felipe Valadares dos Santos, de 36, também começou como músico.  

“Sou músico há 22 anos e  operador e técnico de som há 18. Comecei muito cedo. Aos 16 anos já tocava profissionalmente trabalhando com várias bandas. Já como técnico, atuei como operador de áudio em grandes casas de shows no Brasil e no exterior”, conta.

Dono da FD Studio, no Barro Vermelho, em São Gonçalo, Valadares diz que tem dado preferência ao seu trabalho como técnico de som.

“A agenda fica cheia e é impossível fechar todos os trabalhos. Hoje já recuso muitos trabalhos como músico me dedicando quase integralmente às gravações no estúdio e às sonorizações de eventos”, complementa.

Pedro Duboc, de 37, é formado há dois anos e meio pela Iatec.

“Trabalhei dois anos em TV como técnico de áudio e em algumas empresas de locação. Hoje tenho o meu próprio estúdio, o RedStudo que fica em Búzios”, disse.

“Sempre tive interesse por tudo o que se relaciona com a música. O fato de eu também ser guitarrista influenciou”.

Duboc avalia que se atualizar é fundamental.

“Estou sempre me atualizando. Faço pelo menos dois cursos por ano”.

Engenheiro automotivo, Nilo Bezerra, de 20, divide seu tempo como técnico de som.

“Cresci no meio da engenharia automotiva (área que ainda atuo) e sempre tive curiosidade por tecnologia. Migrar para a manipulação do áudio foi natural quando me tornei também músico”, lembra.

Há 15 anos no mercado, André Quelhas, de 32, trabalha principalmente como técnico de som para o mercado fonográfico evangélico.

“Fui Roadie (operador de áudio de shows) em turnês de cantores evangélicos por muitos anos. Também atuo montando som em diversos eventos e para igrejas. Trabalho também fazendo manutenção de equipamentos de som”, conta.


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Comentários

Esta matéria possui 3 comentário(s)
  1. cesar - 13/01/2012 - 09:26

    amigo me diz a onde esta carente eu estou precisando trabalhar

  2. alfred - 13/01/2012 - 13:15

    O andre é que esta no caminho certo, hoje o que da grana é o mercado evangelico chove dinheiro

  3. Felipe - 29/03/2012 - 12:43

    Apesar do piso ser 2.800 Reais, ninguém paga esse valor. No máximo 2 salários e olhe lá. Por isso está 'faltando' técnico no Rio.

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