Comprar por atacado é uma excelente alternativa para tentar diminuir os custos do mês. Com isso, o consumidor pode economizar com produtos de limpeza, além de alimentos
As compras do mês são responsáveis por uma das maiores despesas do brasileiro, indicam especialistas. Alimentos, produtos de higiene pessoal e até as rações dos animais de estimação estão nas listas de compras de milhares de consumidores. E para tentar diminuir as despesas, muitas pessoas estão trocando os mercados de varejo pelas redes atacadistas. Segundo os compradores, a economia pode chegar a 30%.
Quem optou pelo novo modelo de compras foi a socióloga Maria Eugenia Brandão, de 62 anos. “Sou o tipo de consumidora que vai ao mercado duas vezes por mês, pesquiso mesmo, olho os encartes, comparo os preços e sempre pego as promoções. E se compararmos os preços dos produtos do varejo com os de atacado, a diferença pode ser de até 25%”, comenta.
O filho da socióloga, Alex Brandão, de 36, representante de vendas, também acredita que as compras podem sair mais em conta no atacado. “Existem produtos que podemos comprar em grandes quantidades, estes fazem a diferença no preço final. São coisas que não estragam facilmente como é o caso dos itens de limpeza e de higiene pessoal”, acrescenta Brandão.
Outra que também consegue economizar R$ 200 por mês, com as compras em atacado, é a dona de casa Rose Sardinha, de 44. Segundo ela, a economia chega a 30%. “Moro em Maricá, mas prefiro fazer as minhas compras do mês em atacado. Sempre consigo ótimos descontos. Se as pessoas parassem um pouquinho veriam o quanto elas podem economizar”, conta a dona de casa.
Perfil – Segundo o economista Marcos Paulo Bichara, a tradição desse tipo de comércio é norte-americana, mas segundo ele, o Brasil tem aderido cada vez mais à prática do “atacarejo” nas compras.
“Estes atacadões e as grandes redes de supermercados estão permitindo compras em pequenas quantidades. Em todos os estados, grandes centros de compras multinacionais estão espalhados. Somente em Niterói e São Gonçalo funcionam quatro grandes mercados que estão dentro deste perfil. E segundo informações, já está prevista a instalação de mais três grandes atacadistas na região”, diz o economista.
Para Fabiano Gonçalves, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL), essa nova tendência de mercado é uma boa opção para o consumidor que está à procura de preço baixo, porém quem procura comodidade, os comerciantes menores podem suprir esta demanda.
“Existe espaço para todos, os que sabem se posicionar não perdem os clientes para os grandes atacadistas”, explica.
Opções – Em Niterói e São Gonçalo, os moradores além de contarem com as redes atacadistas Assaí, Makro e o cluble de compras Sam’s Club, o espaço onde estava localizado o mercado Carrefour, no Centro de Niterói, vai virar Atacadão, que faz parte do grupo Carrefour. Nestes locais os consumidores podem optar pela compra em embalagens fechadas, fracionadas ou em unidades, de acordo com sua necessidade de consumo.
De acordo com Belmiro Gomes, diretor de atacarejo do Grupo Pão de Açúcar, a diferença da compra no mercado de atacado é nítida, principalmente no valor total da compra abastecedora e na compra de alto volume para os negócios e empresas, com o preço de atacado.
“A vantagem é percebida no final da compra, que tende a sair de 15% a 25% efetivamente mais barato”, esclarece Gomes, acrescentando que os produtos mais baratos encontrados pelos consumidores são os de limpeza, higiene pessoal, alimentos, bebidas, frios e produtos institucionais.
Divisão com outras famílias
De acordo com Belmiro Gomes, existem enormes diferenças entre os modelos de varejo e atacado, visto que no atacado o objetivo é a venda em maiores volumes, fazendo com que as pequenas empresas sejam o alvo principal, seja na compra para revenda (minimercados, mercearias), para transformação (restaurantes, lanchonetes, padarias) ou mesmo aquelas que necessitem de produtos para seu uso diário (escolas, quartéis e empresas de modo geral).
“Mas a venda não é restrita a este público, o consumidor final tem neste segmento a possibilidade de efetuar relevante economia, ao poder comprar em preço de atacado. Por não oferecer o mesmo nível de serviços que o varejo tradicional, o segmento tem reduções de custos operacionais que são repassados no preço de venda”, explica o diretor.
Ainda de acordo com Gomes, uma dica para aproveitar esse benefício é realizar compras em conjunto com a família, amigos e dividir os produtos que vêm em caixas e grandes embalagens, pois o unitário sai mais barato. “Vale lembrar que em períodos festivos, churrascos e outras comemorações a compra em maior volume sempre é o melhor negócio”.
E foi através deste preço mais baixo que a advogada Rita de Cássia, de 54, foi atraída para o mercado atacadista. “Moro com meus três filhos e meu marido, em Icaraí, como gastamos muito com compras prefiro comprar no atacado. Gasto em média, por mês, R$ 2 mil. Se eu fosse em um mercado normal ou se eu comprasse perto da minha casa as mesma coisas que compro aqui, gastaria, em média, R$ 2,6 mil”, contabiliza a advogada.
Ainda de acordo com Rita, como recebe muitas visitas, ela também costuma comprar as coisas em grande quantidade. “Costumo fazer as compras do mês separadas das compras das festas. Isso também é uma forma de controle”, conclui.
O FLUMINENSE
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