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Greve no Comperj causa tumulto e deixa três operários feridos

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Tamanho da fonte: A- A+ Por: Juliana Sampaio 10/02/2012

Manifestação dos funcionários do Complexo Petroquímico do Rio, nesta sexta pela manhã, deixou três pessoas feridas. Segundo testemunhas, um homem teria morrido

Funcionários terceirizados do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira que terminou com dezenas de trabalhadores feridos. Segundo a polícia, três deles precisaram ser levados ao hospital com ferimentos sem gravidade. Mas a versão que circula entre os funcionários do polo é diferente. Nela, até duas pessoas teriam morrido. Um teria passado mal e enfartado, já o outro teria sido atingido com uma paulada na cabeça. Até o fechamento dessa edição, não havia sido confirmados, por fontes oficiais, nenhum óbito em decorrência do protesto.

Segundo trabalhadores que não quiseram  se identificar, a confusão começou por volta das 10h15, quando funcionários da Alusa, uma das empresas que operam dentro do Comperj, decidiram fazer uma paralisação e passaram a coagir outros grupos de trabalhadores a aderir ao movimento. Caso eles se recusassem seriam agredidos com pedaços de madeiras, pedras e até ferramentas de trabalho. Porém os trabalhadores do Consórcio Techint - Andrade Gutierrez (TE-AG) se recusaram a participar da paralisação, o que deu início ao enfrentamento. 

De acordo com o delegado da 71ª DP (Itaboraí), Wellington Vieira, há dias um grupo de aproximadamente 30 pessoas estaria provocando tumulto dentro do Comperj. E na sexta-feira esse mesmo grupo obrigou os outros trabalhadores a parar suas atividades. Foi instaurado um inquérito policial para apurar o caso. A polícia trabalha com os crimes de invasão de obra pública, paralisação do trabalho coletivo, formação de quadrilha, dano ao patrimônio público e lesão corporal. Essas penas somadas chegam a 15 anos de prisão.

“O objetivo do inquérito é identificar os lideres desses atos de vandalismo, e uma vez identificados, pedir a prisão dessas pessoas. Eu já pedi as filmagens do dia de hoje para a Petrobras, e desde a hora em que aconteceu o fato nós estamos ouvindo testemunhas” informou o delegado Wellington Vieira.

Segundo o delegado, três pessoas ficaram feridas, um segurança do Comperj e dois funcionários de consórcios. Wellington Vieira não descarta a participação de integrantes de sindicatos nesse grupo. Ao longo da semana outras pessoas serão convocadas para prestar depoimento na 71ª DP (Itaboraí).

Hoje seria restituído o segundo dos 11 dias de greve que os operários dos consórcios do Comperj realizaram em novembro de 2011. A categoria busca melhores condições de trabalho e reajuste salarial de 18%. Com a confusão de ontem parte dos funcionários teme ter suspensas gratificações como adiantamento salarial e participação dos lucros.

Segundo Gustavo Luis Silva, de 33 anos, um funcionários do Comperj que estava lá no momento da confusão, o rumor sobre a morte de pelo menos uma pessoa começou a correr quando eles deixavam o local depois do conflito.

“Foi uma confusão generalizada, teve ônibus apedrejado. De repente um começou a ligar para o outro falando que alguém tinha morrido. Para todo mundo ligar e falar é porque alguma aconteceu”, comenta o funcionário.

Gustavo afirma que foram mais de 40 pessoas que ficaram feridas e foram levadas para a enfermaria do polo. Ainda de acordo com o funcionário, um trabalhador que havia sido demitido na greve de novembro estaria no local no momento do conflito e acabou agredido.

Em nota a Petrobras, afirma que ”ocorreu uma manifestação de trabalhadores de empresas contratadas das obras do Comperj. Houve paralisação das atividades no dia e os trabalhadores foram liberados. Foram registrados atendimentos médicos sem gravidade e a situação está controlada.”

 


O FLUMINENSE


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