Autoridades de todo o mundo reúnem-se no Rio de Janeiro no encontro dedicado à sustentabilidade. Países em desenvolvimento pretendem criar um fundo para financiar ações sustentáveis
A presidente Dilma Rousseff abriu na última quarta-feira, o Pavilhão do Brasil, no primeiro dia da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Em seu discurso, ela lançou um alerta sobre a necessidade de um compromisso entre todos os países do mundo para alcançar metas de desenvolvimento sustentável, principalmente as nações desenvolvidas que enfrentam crise em suas economias.
“Nós não consideramos que o respeito ao meio ambiente só se dá em fase de expansão do ciclo econômico. Pelo contrário, um posicionamento pró-crescimento, de preservar e conservar, é intrínseco à concepção de desenvolvimento, sobretudo diante das crises”, afirmou.
Dilma ressaltou que “o ambiente não é um adereço, faz parte da visão de incluir e crescer porque em todas elas nós queremos que esteja incluído o sentido de preservar e conservar”.
A presidente acrescentou que os compromissos apresentados durante a Rio+20 foram assumidos “voluntariamente”.
“Consideramos que a sustentabilidade é um dos eixos centrais da nossa convicção de desenvolvimento”, destacou.
No dia 20, Dilma volta ao Rio para se reunir com chefes de Estado.
Exposições – O Pavilhão do Brasil conta com uma estrutura de 4 mil metros quadrados construída com contêineres reaproveitáveis e abriga uma exposição multimídia sobre programas e projetos dos ministérios e órgãos governamentais. No local também serão realizados debates e palestras.
No espaço que circunda o pavilhão, há quatro áreas de exposição de programas de inovação, tecnologia sustentável e inclusão social, como o programa Minha Casa, Minha Vida, Água Doce e Cultivando Água Boa e produtos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Além do Brasil, dezenas de países montaram estandes e pavilhões para apresentar ações e iniciativas sociais, econômicas e ambientalmente sustentáveis no Parque dos Atletas, em frente ao Riocentro.
Zukang pede rapidez nas negociações
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU) para a Rio+20, o embaixador chinês Sha Zukang, voltou a reforçar na última quarta-feira, pedidos para que os representantes dos países responsáveis pelo texto final da conferência acelerem as negociações. Em mais uma cobrança pública, ele disse que o mundo “está de olho” nas decisões da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.
“De hoje em diante estamos na reta final. Devemos, drasticamente, acelerar as negociações. O mundo inteiro está nos olhando e não podemos decepcioná-lo”, disse Zukang, em entrevista coletiva no Riocentro, sede dos debates oficiais da Rio+20.
A declaração foi dada ao abrir, ontem, a terceira e última rodada de negociações do documento final do evento, cujo teor será divulgado dia 22. Antes disso, até amanhã, os representantes dos governos devem deixar o texto final alinhavado. A partir dessa data, entram na negociação, com mais força, os chefes de Estado.
“Precisamos de um ambicioso e histórico documento, com um forte compromisso de gerar mudanças globais positivas”, disse Zukang. “Vamos usar esses dias finais para transformar nossas aspirações e sonhos em realidade”, completou o secretário-geral.
Para facilitar as negociações da declaração, Zukang explicou que os representantes dos países-membros da ONU dividiram o rascunho final em cinco partes, sob a responsabilidade de dois grupos de discussão.
Um deles está a cargo dos mecanismos de implementação de acordos e metas de ação. O outro, com questões relativas à economia verde.
Zukang acrescentou que, enquanto os acordos oficiais não se destravam, ganham força compromissos voluntários por parte de organizações, empresários e governos.
“Eles complementarão o acordo oficial promovendo ações com foco na energia renovável, agricultura e transportes sustentáveis”, observou o embaixador chinês.
Preços considerados insustentáveis
Os preços cobrados pelos alimentos na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) estão sendo considerados insustentáveis por várias delegações, principalmente as de países mais pobres, que frequentam o Riocentro e o vizinho Parque dos Atletas. Embora a variedade de opções seja enorme, para atender a todos os gostos e bolsos, quem quiser sair do lanche rápido e partir para um prato de comida vai gastar pelo menos R$ 30 por um estrogonofe de frango com arroz e batata palha, por exemplo.
Se o apetite for por carne vermelha de primeira, o preço sobe ainda mais, podendo chegar a R$ 48, por um medalhão de filé. Um sanduíche misto especial, com presunto e queijo brie, sai a R$ 30. Se o sanduíche for de salmão, o valor é R$ 33. Para comemorar acordos em alto estilo, a pedida pode ser uma garrafa de vinho nacional ou importado, a partir de R$ 46, ou uma garrafa de espumante importado a R$ 95.
Para o integrante da delegação do Zimbabue Thomas Musukutusa, o valor pago por um copo de chá mate, para ele, equivalente a US$ 3, era o triplo do que pagaria em seu país.
O FLUMINENSE
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